Salvador Escravista e as políticas de memória da escravidão

Salvador Escravista e as políticas de memória da escravidão

A mesa Salvador Escravista e as políticas de memória da escravidão acontece no dia 18 de setembro, às 19h como encerramento do XVI Enecult.

Salvador foi o segundo maior porto de desembarque de africanos nas Américas durante a vigência do comércio transatlântico de pessoas escravizadas. Navios negreiros da Bahia carregaram cerca de um milhão, trezentos e cinquenta mil mulheres, homens e crianças que, aprisionados e escravizados, experimentaram a traumática travessia do Oceano Atlântico, segundo estimativas recentes. Algo em torno de 150 mil pereceram durante a travessia. No final, aproximadamente um milhão e duzentas mil pessoas chegaram com vida à Bahia.

O trabalho forçado dos africanos escravizados e seus descendentes está indelevelmente marcado nas ruas, prédios públicos e privados, igrejas e outros espaços da cidade de Salvador. O setor de venda de alimentos funcionava pelo braço africano, assim como o setor de transporte de mercadorias e de pessoas entre as ruas e ladeiras da Cidade da Bahia. Serviços mais especializados, como de sapateiros, barbeiros, marinheiros, e ferreiros também eram realizados por gente escravizada. No interior das residências, as mulheres negras atuavam em serviços domésticos variados, às vezes cumprindo dupla jornada, no interior das residências e nas ruas da cidade.

Apesar desse infame histórico, Salvador é, ainda hoje, pontilhada por homenagens a traficantes de escravos. O imenso poder econômico e político desses homens converteu-se em poder simbólico. Sua memória passou para a posteridade como grandes benfeitores, homens de negócio, empreendedores. Foram homenageados com nomes de ruas, estátuas e praças públicas, ocupando lugar privilegiado no patrimônio urbano.

A mesa apresentará o projeto Salvador Escravista, que oferece subsídios históricos que possibilitem uma melhor compreensão sobre o papel desses indivíduos no desenvolvimento de uma sociedade marcada pela desigualdade e pelo racismo. Mas, entendendo que a memória pública é uma construção social em permanente conflito e também feita de esquecimentos, o projeto busca mapear homenagens aos personagens históricos que enfrentaram as estruturas escravistas, bem como espaços que em outros tempos foram marcantes para as populações escravizadas e seus descendentes. Lugares de luta, dor ou celebração, que acabaram encobertos por novas camadas de concreto ou de significados.

Estarão na mesa os professores e pesquisadores Cândido Domingues (UNEB), Iacy Maia Mata (UFBA) Luciana Brito (UFRB) sob coordenação de Carlos Silva Jr. (UEFS).

O XVI ENECULT – Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura é promovido pelo Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e acontecerá entre 15 e 18 de setembro de 2020. As transmissões acontecerão através do site cult.ufba.br/enecult e do youtube.com/enecult.