Risada Transcedental

Risada Transcedental

De longe já era possível ouvir o contagiante som de risadas, mas o que provocava aquilo é que era mais surpreendente. Não se tratava de uma piada ou um show de comédia stand-up, mas os movimentos corporais de uma oficina de Yoga do Riso, que junta técnicas de respiração da milenar prática indiana a muito bom humor e, quando necessário, barulho.

Doze pessoas se reuniram na Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Ondina, na tarde desta quinta-feira (1º), durante o XV Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), para praticar a técnica. Durante 30 minutos, gastaram praticamente todo o estoque diário de risadas, enquanto realizavam exercícios lúdicos.

A professora Helena Matos, responsável pelo “carrossel” de sorrisos, fez os participantes movimentarem o maxilar sem miséria (ou motivo), enquanto realizava movimentos como bater palmas e dar pulinhos fingindo que se está andando na praia. Em contato com a técnica há dois anos, ela explica os benefícios que isso pode trazer para o bem estar de quem pratica.

“Esta técnica ajudou muito na minha vida pessoal, melhorando minha percepção do mundo. Eu sou enfermeira de formação e quando ia para o hospital, no carro eu ficava gargalhando. Quando eu chegava no trabalho, estava super de bom humor, tratando todos bem. Existe até um desafio de rir por 10 minutos durante 40 dias seguidos. Aí a pessoa faz ‘hahaha’ em momentos como escovar os dentes e tomar banho”, conclui.

A escolha pelo método de riso fingido partiu do Dr. Madan Kataria, indiano que criou a técnica em 1995. Inicialmente, ele até usava piadas para criar gargalhadas de maneira natural, mas aí percebeu que as anedotas podem ser ofensivas e, ao perceber que atinge o mesmo efeito com as risadas “forçadas”, mudou o procedimento. Entretanto, em determinado momento da vivência, o riso sai de forma natural, afinal de contas, a única coisa mais contagiosa que o sorriso é a virose pós-Carnaval de Salvador.

Atividade
Logo no início do encontro, os participantes se apresentavam dizendo seu nome e contando algo de bom que aconteceu em seu dia, e, após falar cada um destes itens, ria. Logo depois, era feito um aquecimento com técnicas de respiração da yoga tradicional, que, obviamente, terminam em um belo “hahaha”.

Quando acaba o aquecimento, é hora dos exercícios. Atividades como brincar de espelho, imitando o parceiro, passar um fio imaginário pela cabeça do coleguinha para tirar de lá pensamentos ruins e preconceitos, além de encarar alguém e começar a rir são feitas, sempre sem vergonha de ser feliz.

O estudante de artes cênicas Givaldo Santos, 32, participou de uma oficina de Yoga do Riso pela primeira vez e, mesmo assim, era um dos mais empolgados durante as atividades. “Eu pratico meditação, aromaterapia e cromoterapia, mas achei isso aqui libertador. Você ri sem motivo enquanto faz coisas bobas”, comparou.

“O melhor é que você consegue se despir do mundo exterior e não liga para as pessoas que passam e te olham. Apesar de, em tese, o riso ser fingido, ele acaba sendo bem espontâneo. Só é um pouco cansativo, minha barriga está doendo de tanta risada”, completa Givaldo.

A oficina que aconteceu no campus de Ondina durou apenas 30 minutos e deixou um gostinho de “quero mais”, que poderá ser saciado nesta sexta-feira (2), quando acontecerá um novo encontro, também na Praça das Artes. Além disso, o grupo “Clube do Riso” se reúne a cada 15 dias na Casa AmarEla, em Itapuã. O evento é aberto e gratuito para quem quiser chegar. Mais informações podem ser obtidas através do Instagram @clubedorisosalvador.

XV Enecult
Desde o último dia 31, com programação até o próximo sábado (3), está acontecendo o XV Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult). O evento traz palestras, discussões e apresentações de trabalhos acadêmicos, além de uma programação cultural com feiras, artesanatos e oficinas.

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